domingo, 22 de janeiro de 2012

Canhoto malandro

   O que eu noto nesses jovens idealistas comprometidos tão bravamente com as mais diversas lutas sociais, tanto os que se dizem de direita quanto os que se dizem de esquerda (mas principalmente esses últimos), é que eles se constituem em seu núcleo por garotos impacientes e mimados, muitos dos quais, tendo crescido sob boas condições de vida, só conseguem justificar o enorme ódio que sentem contra o que seriam as grandes injustiças do mundo mediante a projeção de suas próprias mazelas particulares, trazidas de experiências estritamente pessoais - rejeições amorosas, problemas familiares, intrigas na escola, inveja de coleguinhas, mesmo o excesso de conforto e crises aborrescentes de toda sorte, que afinal formam o único parâmetro de sofrimento acessível à maioria dessas pessoas -, sobre aquele ente abstrato que frequentemente denominam o "povo pobre e oprimido", o "trabalhador honesto", as "classes menos favorecidas", a "família brasileira", as "minorias perseguidas", etc. E com isso ainda supõem eles medir com uma incrível precisão científica a suposta dor inerente à condição de um sem-teto, de uma lavadeira, de um viciado, de um menor abandonado e por aí vai, ainda que em muitos casos pessoas pertencentes a tais categorias sejam até mais felizes e auto-confiantes que os chorosos benfeitores da sociedade e necessitem de menos cuidados que esses. O pior é que, ao impregnarem um objeto real, como a miséria ou o racismo, com aquele sentimentalismo típico do jovem revoltado com as hostilidades causadas ao seu carente e frágil ego, acabam por se desviar de uma abordagem pragmática das existentes anomalias sócio-econômicas, somente a partir da qual estariam verdadeiramente habilitados a propor soluções efetivas. Tornam-se aptos no entanto a gerar ainda mais desequilíbrios na sociedade, além de agravar aqueles que a princípio estariam combatendo. 

   Isso ocorre por uma razão muito simples: como não são capazes de enfrentar seus desafios face a face, ou seja, enquanto indivíduos que confrontam individualmente seus respectivos destinos, preferem dar vazão a suas angústias depositando a confiança em soluções mágicas que, em sua cabecinhas, imaginam finalmente vingar todo o mal que sofreram, nesse ponto já atribuído a fenômenos de ordem histórica, psicológica e social que lhes escapa à oportunidade de resolver concretamente enquanto situações muito mais práticas.

   Um exemplo disso, que constantemente desponta nos assuntos do dia, é a questão das drogas e da polícia, já tratada em outras ocasiões nesse mesmo blog, que ilustra bem a estupidez tanto dos esquerdistas quanto dos direitistas. Esses últimos, ao erigir toda uma fábula de mocinho e bandido, crendo estar nas drogas a fonte de todo o mal satânico e na polícia a figura dos heróis salvadores da pátria, ignoram completamente o fato de que as drogas, por si, não são a causa nem da bandidagem, nem da péssima saúde dos brasileiros, nem do mau-caratismo de seus filhos - coisas essas que apenas arrumam uma forma de incorporar a droga a si, podendo entretanto existir muito bem sem ela. Ignoram também que a polícia, embora um instrumento de grande utilidade, e diga-se, bastante necessária, não funciona sozinha, sendo essencial a coordenaçao de outros elementos que garantam, junto com ela, a segurança nos espaços públicos, como infra-estrutura adequada, incentivo à ocupação de certas regiões pelo poder oficial, combate à corrupção, e, acima de tudo, abertura para debates que ajudem a elucidar algumas questões para o cidadão comum. Sem essas medidas mínimas, que atualmente se encontram em estágio deficiente no Brasil, a polícia não tem sequer como exercer devidamente sua função. Assim, ela se torna um mero símbolo de afirmação da direita, cujos efeitos politiqueiros contribuem menos para coibir o crime que para manter o status quo de certos governos.

   Mas se, nesse caso, a direita peca por incluir em sua onda de indignação policialesca um ímpeto irracional de intolerância às drogas, além de apostar em estratégias de combate pouco funcionais, a esquerda então peca por inverter essa lógica ao ponto de se tornar não só condescendente com a criminalidade, mas também cúmplice do que há de pior no culto desmedido às substâncias entorpecentes, elevadas então ao status de moeda de troca social, com ares de inocência e elegância estética, como ocorre já com cigarro e bebidas alcoólicas. E a "cultura cannabis", a defesa às "minorias perseguidas", a distribuição de "caridades" e todo aquele discursinho mole de "políticas mais humanas" tornam-se por fim o ideal escudo dessa gente. Claro, isso só pode, também, ter conseqüências politiqueiras, beneficiando governos ainda mais ineficientes, corruptos e tirânicos. Assim vemos que esses esquerdistas, naquele anseio incontrolável por exercer o senso crítico da sociedade, que bradam como uma necessidade urgente à manutenção do espírito democrático, só o que fazem no final das contas é reforçar essa nossa base cultural de tendências marxistas, isto é, essa nossa cultura que na maioria das vezes pende mais para a esquerda que para a direita. Talvez percebam menos ainda que isso tudo só tende a gerar ainda mais centralização de poder e abismos cada vez mais largos e profundos entre classes - com óbvia desvantagem para aqueles que confiam cegamente nas cartilhas socialistas, como há décadas vem fazendo o povo brasileiro.

   Considerando a direita e a esquerda como os dois braços de um Estado autoritário e manipulador, então podemos dizer que o nosso Estado Nacional é um canhoto malandro que, apresentando-se normalmente como destro, está pronto para bater a primeira carteira surpreendendo sua vítima com uma esquerdinha ainda mais leve e ágil. E se perguntarem a serviço de quem esse malandro age, eu direi apenas que sua quadrilha tem sede nos Estados Unidos da América. Não à toa esses garotos que no passado, ingênuos, lutavam por "ideais nobres", ao finalmente se depararem com a real face daquilo que beneficiaram esse tempo todo, preferem cinicamente trocar seus próprios princípios e fingir que sempre estiveram do lado contrário, talvez por pensarem ser menos trabalhoso ou humilhante admitir que eram usados pelo inimigo e então rever toda sua postura. Eis um resumo dos principais políticos da atualidade, e da trajetória que seguirão em um futuro breve alguns meninos de hoje. 

   Afinal, o que esperar de estadistas, políticos, intelectuais e funcionários públicos oriundos da gigantesca massa de manobra que compõe esse país senão uma horda de puxa-sacos que se contentam em desfrutar de efêmeros privilégios ao preço de se subordinarem a papéis de míseros cupinchas em esquemas estrangeiros?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Direito à maconha: Introdução

   Pressupõe-se que certas substâncias, algumas encontradas naturalmente, outras parcialmente sintetizadas ou condensadas, e outras criadas artificiamente pelo homem, devam ter seu acesso e uso restringidos e até totalmente proibidos, bem como qualquer forma de comercialização e posse, com uma explicação calcada numa profunda preocupação com a saúde, a segurança e a capacidade produtiva da sociedade. 

   Assim, proíbe-se a maconha sob a alegação de que ela faz mal aos pulmões e, supostamente, causaria danos ao cérebro; contribui para o crime organizado através de um mercado negro altamente rentável; e, para qualquer que fosse a comunidade a ela introduzida, haveria como conseqüência fatal a produção de vagabundos e desmiolados em série . 

   Ainda, seria ela responsável por levar pessoas a usar substâncias de maior efeito entorpecente, as quais também são proibidas, como LSD, ecstasy, cocaína, heroína, psilocibina, ópio, sálvia divinorum, peiote, e uma infinidade de outras, mesmo quando se pode verificar que essa tendência está fortemente ligada à conduta do traficante, que, por atuar fora do comércio formal, se vê livre de qualquer tipo de fiscalização, e, assim, tende a incentivar seus clientes a adquirir outros de seus produtos. Diferentemente ocorre com uma droga legalizada mas bastante potente como a cachaça, cuja obtenção se dá em ambientes como o de um bar ou o de um supermercado, onde o vendedor dificilmente estaria autorizado a oferecer qualquer uma daquelas outras drogas elencadas, quanto mais a crianças ou adolescentes.

  Ademais, a curiosidade, que por sinal é inerente ao ser humano, atiçada pelos meios culturais - através do cinema, da literatura, da música, da publicidade e outros -, ainda parece ser a grande desencadeadora do desejo de se experimentar qualquer droga, como se vê no caso do cigarro, ao qual a adesão foi massivamente estimulada por uma série de setores da indústria de entretenimento norte-americana, em especial Hollywood, ao longo de décadas, criando, assim, uma verdadeira sociedade de culto a essa droga. Tal episódio é o que se traduz nas sucessivas gerações influenciadas a enxergar no mero ato de tragar um cigarro um símbolo de elegância estética, um atraente passaporte para o "mundo adulto" e uma imagem cinematograficamente sedutora de liberdade. Assim, vemos que o perigo real não está tanto no efeito dessas substâncias em indivíduos conscientes de seus limites, mas no efeito que elas têm sobre um bolo humano embrutecido, cujo comportamento ruinoso é somente agravado por uma formação cultural decadente e pela ausência de informações verazes, no que pouco ou quase nada influi, porém, o material à sua disposição.

Direito à maconha: Saúde

   Analisemos o argumento que coloca a saúde como o fator preponderante para a existência de uma lei cuja finalidade é impedir o contato de qualquer cidadão com substâncias prejudiciais ao corpo e à estabilidade psíquica. Ora, o fato de que um número grande de pessoas morre todos os dias em decorrência do uso de tabaco e álcool, sendo, no entanto, estas drogas legais e facilmente disponíveis, é notadamente desprezado por aqueles que insistem em voltar seus olhares apenas àquelas outras drogas anteriormente citadas, as proibidas. Isto porque crêem que o Estado, que o senso comum, que a moral, que os chamados bons costumes estejam sempre corretos - talvez até vejam nessas coisas todas alguma faceta de Deus, em sua clássica forma paternal, bondoso e punitivo, que quer nosso bem e determina as regras do jogo, a respeito do qual prefere no entanto, por alguma razão obscura, não nos esclarecer o suficiente.

   Assim, uma vez que tabaco e álcool estranhamente ainda não configuram motivo o bastante para determinada categoria de gente aceitar que o Estado, enquanto mera expressão da vontade de um conjunto de pessoas, pode não estar tão interessado assim na saúde geral da população, como estaria ao proibir a maconha - ou mesmo considerando-se outra categoria, de tipos um pouco mais céticos, para a qual o Estado estaria de fato errando, não ao proibir a maconha, mas sim ao deixar de proibir, também, toda e qualquer droga recreativa, incluindo as que hoje se encontram legalizadas -, torna-se cabível a citação de algumas outras substâncias tão presentes em nosso dia-dia, igualmente nocivas, senão mais, que os estupefacientes, mas que, entretanto, encontram-se em diversas prateleiras do comércio legal, ao alcance de qualquer um, com específicas restrições àqueles que ainda não atingiram a maioridade ou são tidos como incapazes. É o caso, por exemplo, de alguns materiais para usos domésticos - como removedores de tinta e de metal, adesivos para borracha e couro, entre outros solventes químicos, ou o gás butano presente na cozinha e em fluídos de isqueiro - cuja existência embora se justifique pelo propósito a que são normalmente designados, o qual não envolve necessariamente o prejuízo da saúde de ninguém, muitas vezes se tornam alternativas de drogas, a despeito de também poderem provocar acidentes letais. A já bem noticiada cola de sapateiro é um exemplo corriqueiro entre viciados oriundos de praticamente todas as classes sociais e econômicas, por ser vendida em muitos lugares a preços baixos, além de causar um efeito entorpecente comparável ao das drogas ilícitas mais pesadas, com semelhantes danos ao corpo.

   De qualquer forma, se esse Estado bondoso realmente quisesse ver seus filhos sempre saudáveis, talvez devesse considerar a proibição de todas essas substâncias, e não só uma regulamentação que visa impedir o abuso por parte das indústrias - as quais muitas vezes procuram ludibriar os consumidores acerca dos reais ingredientes de seus produtos - ou outras medidas sensatas como a obrigatoriedade de avisos informando sobre os modos mais seguros de uso e alertando sobre as conseqüências da adminstração inadequada dos mesmos.

   Ainda tratando dessa tentativa de imputação de uma verdadeira paranóia coletiva com relação a saúde e o bem estar alheio, que vem servindo perigosamente de pretexto para uma série de interferências abusivas do âmbito governamental na vida particular dos cidadãos, devemos lembrar que um dos problemas mais divulgados dos Estados Unidos da América (dos quais muitos países, inclusive o Brasil, são grandes importadores de costumes) é a obesidade, por ser sua população uma renomada comedora de frituras e doces diversos. No entanto não se considera (ainda) limitar o liberdade de alguém consumir qual e quanta comida bem sinta vontade, mesmo correndo o risco de engordar e, assim, passar a viver em uma despendiosa rotina de idas a hospitais, ter sua expectativa de vida reduzida e, em situações mais graves, sua vida profissional (e portanto a produtividade) comprometida, além de enfrentar uma série de dificuldades no cotidiano, tais como a incompatibilidade com determinados espaços físicos e peças de roupa, fadiga e dores musculares constantes - às vezes com conseqüências mais sérias e trágicas, incluindo a total invalidez e a morte decorrente de uma batelada de doenças associadas à obesidade (mórbida ou não). 

   Dessa forma, passamos a assistir nos últimos tempos a diversas campanhas - algumas de fato úteis e informativas, outras falseadas e bastante inconvenientes - em quase todos os meios de comunicação abordando os malefícios do consumo insensato de certos produtos alimentícios, suas consequências, como o colesterol, e, não obstante, ainda as pessoas têm livre acesso ao suculento bacon e ao tentador chocolate. Por quê? O motivo quase qualquer um saberia dizer: porque as pessoas têm direito a comer o que quiserem, mesmo que seja da pior forma, mas, sobretudo, porque o Estado não deveria ter o poder de interferir de maneira tão autoritária em seu cardápio, mesmo sob o belo argumento de estar apenas cultivando a saúde de sua gente.

   Já na Suíça, onde a produção e consumo de chocolate é uma bem conhecida tradição, ou na Itália, em que o mesmo se dá em relação às massas para o preparo de artigos culinários tais como a macarronada e a pizza, não se observam, porém, muitos problemas de obesidade e malefícios associados à má alimentação, estando estas nações escaladas, respectivamente, na oitava e terceira posições de um ranking dos países menos obesos do mundo. Isso porque talvez nesses lugares haja uma cultura voltada para a consciência de se saber dosar os prazeres da vida, sem ter de bani-los ou esquece-los. Coisa similar ocorre na Holanda com a maconha, objeto de concercimento deste texto: está disponível aos cidadãos holandeses, regulamentada, e, não obstante, verifica-se a quase onipresença do dito país em listas dos mais bem quotados em termos sócio-econômicos, razão pela qual não se supõe que a maconha estaria afetando, positiva ou negativamente, tais índices de qualidade mais do que qualquer outro produto semelhante, vendido a adultos como forma de entretenimento.
   
   Tudo isso nos leva a refletir um pouco sobre o que seria melhor: um Estado que lida com a população como se esta não passasse de uma criança teimosa, incapaz de tecer análises, fazer escolhas e adquirir hábitos de moderação, e que portanto, sendo uma criança e estimulada a se enxergar como tal, sempre achará algum jeito de burlar as regras, sem jamais arcar com as conseqüências de seus atos; ou um Estado que trata a população como seres responsáveis por suas ações e capazes de decidir o que é melhor para suas vidas?

   Além do quê, assim como ocorre com todos os produtos comercializados neste país, rios de dinheiro seriam revertidos da comercialização regulamentada da maconha em impostos e taxas para o governo. Supoe-se (e o digo porque nunca se sabe ao certo o destino de qualquer dinheiro nesse país) que esses impostos, ou parte deles, sejam empregados em melhorias nos serviços públicos, entre eles a saúde.

Direito à maconha: Segurança

   Então algum justíssimo e muito bem intencionado cidadão, depois de ler atentamente aos argumentos até então expostos aqui, mas certo de que o problema não reside tanto na questão da saúde, mas na questão da segurança pública, decide então levantar sua voz e diz: os maconheiros financiam o tráfico e armam bandidos, e eis a grande realidade! 

   Sim, de certa forma o usuário é um dos reponsáveis pela dinâmica do tráfico, já que o pagamento pela maconha realmente parte de seu bolso, sendo ele, portanto, uma peça necessária para que o esquema funcione. Mas isso porque essa substância não se encontra na farmácia, nem no mercado. Para citar um fato histórico ainda bem morno, na década de 1930 ocorreu a proibição do álcool nos Estados Unidos da América. O que aconteceu? Passou a haver tráfico de álcool. Assim, na próxima vez que um desses indivíduos justíssimos e muito bem intencionados se encontrar tomando uma bela cervejinha no estilo mais puritano, sentado em um barzinho qualquer, que ao menos se lembre de que, caso estivesse nos EUA por volta de 1930, teria de inexoravelmente ter passado por um traficante. Por essa razão deveria ele olhar para um copo de cerveja e encará-lo como uma ameaça em si mesmo? Pois não se pode reconhecer em um simples copo de cerveja alguma natureza própria potencialmente mais contribuidora para o tráfico pernicioso do que qualquer outro produto com alta demanda que se visse deliberadamente proibido, fosse até mesmo um gorduroso hambúrguer (como aqueles vendidos em lanchonetes de qualquer esquina) - hipótese que talvez evidenciasse melhor o absurdo por trás de uma proibição dessa natureza, quando provavelmente veríamos boa parcela da população armando bandidos pelo simples desejo de comsumir um simples lanche.

   Querem equiparar um usuário de cannabis a um assaltante ou a um seqüestrador, como se poderia equiparar, também, da mesma forma grosseira um torcedor de algum clube esportivo a um vândalo que depreda tudo que vê pela frente. Ameaças, perdas e danos começam quando uma pessoa faz uso de algum meio real para interferir materialmente e imediatamente em outra. É uma conta um pouco diferente - deixa de ser monofásica, torna-se bifásica, envolve uma interação, ou seja, mais de um pólo, mais de uma pessoa. Por exemplo, aplicar violência física ou impedir o acesso de alguém a um bem público ou particular, essas são interferências reais, de fato muito materiais e imediatas. Não estão no nível de um incômodo ideológico muito parecido com uma birra de alguém que não quer aceitar a simples existência de uma opinião divergente ou de um modo distinto de se conduzir a própria vida. E se alguém está pensando em dizer que tem direito a respirar um ar puro, sem cheiro e outras contaminações, então o mesmo deveria valer para cigarros, cigarrilhas, charutos e cachimbos, ou, ainda, o mais sensato, que houvessem lugares reservados para se fumar qualquer coisa, podendo esses serem áreas particulares e fumódromos.

   Mas, afinal, dizem que o maconheiro provoca indiretamente uma série de violências contra a sociedade, já que, uma vez que a maconha ainda não se encontra no presente instante legalizada, o fato de ele não abrir mão de um desejo egoísta, o que faria caso deixasse de ir atrás da droga, coloca-o como alguém que estaria propiciando uma fonte de renda para criminosos da mais alta periculosidade que, com isso, adquirem armas e poder, articulam mega operações e sustentam grandes organizações e quadrilhas. De modo análogo, curiosamente descontados alguns pontuais aspectos de proporção, poder-se-ia dizer que, ao comprar um simples bilhete para comparecer a uma partida de futebol, um cidadão também estaria contribuindo para uma infinidade de coisas ruins, como corrupção, pancadarias, máfias, torcidas organizadas, alienação coletiva, esquemas de monopólio, e também mortes. Afinal de contas, todos os problemas relativos às leis, aos aparelhos de fiscalização e aos acordos por trás da indústria futebolística ainda não estão satisfatoriamente resolvidos - consciência do que dificilmente se escapa, visto que boa parte dessa história costuma ser veiculada por meios de relativa abrangência. No entanto, se desejamos ser sensatos, devemos admitir que ele está apenas exercendo seu legítimo direito ao entretenimento pessoal, pois não é preciso tomar parte dos bastidores sujos do futebol para acompanhar um campeonato, prestigiar atletas, e, enfim, se divertir um pouco. Pois a maioria dos maconheiros também não se ocupa de mortes e disputas do tráfico, querendo apenas fumar sua maconha em paz, no exercício de um direito que deveria ser-lhe garantido pelos mesmos princípios.

   Deve-se, antes de mais nada, refletir sobre a real natureza reguladora por trás do que é lícito e ilícito. Pois, se tudo não passa de um jogo de contemplação da intrincada cadeia de implicações que um ação provoca, sendo esse basicamente o argumento para condenar o cliente do tráfico - o qual, mediante a troca de seu dinheiro por maconha, provoca o armamento de bandidos -, então, dentro dessa mesma lógica, que procura, com justa razão, culpar o dispositivo que inicia toda a seqüência de eventos, o elemento desencadeador de todo o processo, o primeiro termo de toda a estrutura causal, logo, chega-se, antes mesmo do cliente do tráfico, à pouca funcionalidade de certos códigos sociais excludentes e arbitrários. Deve-se compreender, afinal, que as maiores responsáveis pelos crimes são as leis cunhadas por governantes sob o apelo e aclamação de uma grande massa de gente diversa, com conseqüências desastrosas a todos, exceto a pequenos grupos para os quais toda a situação acaba por fim sendo deveras lucrativa. Então quem arma os bandidos: os usuários ou os vários cidadãos que, confiando cegamente em caquéticos preceitos moralistas (ou valendo-se de um falso moralismo do politicamente correto para tão-somente se beneficiar ante a opinião pública), produzem todo este clima cultural de estupidez coletiva e engessamento dos mecanismos da Justiça?

   Tem muita gente que precisa aprender a viver sem se preocupar com a vida de quem não é nenhuma ameaça. Preocupem-se com ladrões, com estupradores, com assassinos, com ditadores, com políticos corruptos e (semi-)analfabetos, com profissionais incapacitados e, enfim, com qualquer um que ameace verdadeiramente a nação. Mas consumir uma substância não se trata de interferir na vida de alguém. Analisem a questão mais a fundo, não se atenham apenas ao que é proferido pelos meios midiáticos, que só fazem promover espetáculos de caça às bruxas, sem jamais oferecer sequer uma solução plausível ou argumento para seus achismos ardentes.

Direito à maconha: Produtividade

   Algumas pessoas manifestam, também, a idéia de que o uso de narcóticos não deveria ocorrer pelo motivo de que isso prejudicaria, a longo prazo, a disposição para o trabalho e para o raciocínio lógico, bem como outras funções cognitivas dos usuários, podendo, com isso, se tornar um obstáculo para a produtividade humana, isto é, não só para alguns indivíduos isolados que eventualmente fizessem mau uso da substância, mas para toda uma sociedade que a tivesse incorporada em qualquer grau. Trata-se, pois, de uma grande ingenuidade pensar que uma sociedade composta por indivíduos que fumam maconha moderadamente não possa trabalhar, estudar nem produzir tanto ou até mais que outras sociedades totalmente livres das drogas. 

  Há aqueles que talvez considerem o ambiente de trabalho algo sagrado ou santo, tal qual uma igreja, onde se pressupõe que todo o serviço, artefato, projeto, relatório, idéia, conhecimento a serem produzidos necessariamente os sejam por indivíduos completamente abstêmicos, protegido de alguma espécie misteriosa de contaminação ou impureza. Isso denota, na realidade, que há uma inconsistência no rigor e uma falta de capacidade crítica para avaliar a qualidade real de qualquer objeto que lhes seja apresentado, e não o processo por que ele foi produzido - objeto esse que, por lhes ser desconhecido justamente tal processo, obtém muitas vezes sua mais alta aprovação mesmo quando concebido por indivíduos cujo uso de drogas psicoativas era administrado com certa freqüência, quando não sob influência direta de alguma(s). 

   Houve, e ainda há, grandes profissionais altamente produtivos, de mente afiada e boas sabedoras em suas atividades, para os quais uma determinada droga constitui parte integral de suas vidas, de suas personalidades. Da mesma forma, é sabido que muitas "manias" e preferências compartilhadas pelos críticos da maconha, que, embora inofensivas em si mesmas, estão igualmente sujeitas a algum tipo de olhar mais radical e segregacionista. Refiro-me a preferências políticas, sexuais, religiosas, ou manias como a de tomar café, vestir roupas extravagantes, escutar um determinado tipo de música, e por aí vai.

   Lembremos que o mais recente queridinho da mídia, Steve Jobs, cujos produtos hoje são celebrados por quase todo o mundo, careta ou não, declarou certa vez que uma das duas ou três coisas mais importantes que fez na vida foi tomar LSD, substância de efeito muito parecido com o da maconha, só que ainda mais intenso. Portanto, da próxima vez que precisar usar seu iPod, iPhone ou iPad, lembre-se de que eles foram criados por um simpatizante da "vagabundagem". Poderíamos citar também Carl Sagan, renomado astrônomo americano que fazia uso da maconha a fim de, segundo o próprio afirma em seu artigo de 1971 intitulado Marijuana Uses, ativar experiências sensoriais e intelectuais. Este artigo os interessados poderão encontrar em inglês no seguinte endereço - http://marijuana-uses.com/mr-x/.

   Seguindo ainda esta linha de julgamentos com base em aparências reprovadas por alguns em detrimento de outros, talvez se devesse questionar também o uso muito difundido de certas drogas não tão leves para o tratamento de ansiedade, que, assim como drogas ilícitas, também possuem princípio ativo no funcionamento do cérebro, sendo, portanto, por definição, psicotrópicos. Certas drogas como Anafranil exerceriam uma influência muito mais pesada à mente e ao corpo do que, por exemplo, o bastante difamado jererê. Para além disso, ainda seriam capazes de deixar uma pessoa muito mais fora de órbita, com a personalidade distorcida e afetada, o que teria implicações também no que ela eventualmente pensasse acerca de qualquer assunto e até no que ela pudesse produzir para a sociedade. E para aqueles cuja tese de que o uso de qualquer droga deve ser posto em uma posição isenta de qualquer questionamento sempre quando houver prescrição médica, lembremos que até a cocaína já foi usada como artigo terapêutico para tratamentos psiquiátricos.

   A questão fundamental aqui é que cada um deve ter o direito de manipular a própria estrutura psicológica e física, conforme a crença pessoal na necessidade e eficácia de tais substâncias para a finalidade que bem tenha sido determinada pelo próprio indivíduo, seja a manutenção do seu equilíbrio corporal e mental, segundo os mais diversos critérios existentes, ou a pura e simples busca de prazer. Opiniões todos podem ter sobre o que funciona, o que é indispensável, o que cura, o que destrói; mas será que essas opiniões deveriam se estender para além do próprio funcionamento individual de alguns e então impostas como modelos a serem seguidos por todos, sob a força de uma autoridade inflexível e pouco confiável? Ou essas opiniões não seriam melhor aproveitadas se apenas fornecidas como fontes a mais de experiências, as quais, por sua vez, poderiam ser consideradas boas ou ruins de acordo com a avaliação de cada um?

   E, afinal, se a questão é ser bom em alguma coisa, então que se julgue a real habilidade ou conhecimento de uma pessoa nessa coisa, e não o que ela consome.

Direito à maconha: Conclusão

   Ao se ignorarem estes fatos, tudo se torna uma questão de cláusulas impostas por algum tipo de mentalidade intelectualmente desonesta e/ou deficiente, e não de direitos a uma liberdade íntima que está longe de querer se ocupar de violências ou imposições a outrem.

   Se existe um produto, e existe uma demanda, é porque existe o desejo de usufruir desse produto. O direito de fazer isso no caso da maconha, e mesmo no caso de outras drogas, poderia ser descrito quase nos mesmos termos do que representa para alguns o direito de culto a uma religião, ou o de praticar um esporte, ou o de executar uma arte, ou o de assumir uma orientação sexual, ou o de expor livremente suas opiniões sobre os mais variados assuntos. Todos foram, e ainda são, passíveis de discussões, geradores de polêmicas, objetos constantes de críticas e associados, às vezes de forma bastante imaginativa, a desvios de caráter e tendências sortílegas que levariam toda a humanidade (ou parte dela) à ruína. Discordar de qualquer uma dessas práticas, seja pelo motivo que for, estético, ético, religioso, científico, ideológico, é algo tão natural e mesmo saudável para a diversidade de idéias e para o senso crítico coletivo que não devia, nessas circunstâncias, ser reprimido à força de um cassetete. 

  Entretanto, a partir do momento que uma discordância dessa espécie passa a servir de justificativa para a existência de uma lei repressora, percebe-se logo que sua origem não está mais no campo das opiniões que podem ser discutidas racionalmente; trata-se na realidade - à exceção dos casos de malícia - de um primitivo medo fortemente arraigado no espírito de pessoas que há muito já perderam a razão, assim como um bicho acuado que ao se deparar com qualquer aproximação suspeita de vulto, sem poder compreender nem tomar uma medida mais eficaz para a preservação de si, investe todas suas forças naquilo que melhor sabe fazer: avançar sobre seu inimigo contando unicamente com a ajuda de seus músculos e de um inarticulado gemido intimidativo.

sábado, 12 de novembro de 2011

A realidade virtual brasileira

   Em questões como as que envolvem a legalização das drogas ou a atuação da polícia, com todo o caráter simbólico de grandes proporções políticas que genericamente suscitam, notamos que a grande maioria dos que se posicionam radicalmente, tomando partidos de expressiva adesão popular, assim o fazem por puro medo de que, simplesmente não o fazendo, os radicais do flanco oposto, contando também com forte apelo de uma série de setores da população, possam se impor na base do mesmo tipo de força bruta e técnicas psicológicas de intimidação. Neste perfeito equilíbrio entre vetores diametralmente contrários exercidos furiosamente um contra o outro é que tem consistido quase todo o tom desses debates, com pouquíssima margem para vias alternativas de solução ou ao menos de análise. Com isso, o mundo real, concreto, é relegado a um plano de profunda indiferença, emergindo-se dele - e, por fim, sobrepondo-se quase totalmente a ele - um mundo virtual, construído artificialmente pelo conjunto das comunidades restritas a noticiários de grande veiculação, programas policialescos, campanhas políticas inflamadas, mídias sociais, entre outos meios supostamente informativos. Nessa realidade projetada sobre o inconsciente coletivo, tal como um sonho ou delírio sem fim, os aspectos fundamentais de quaisquer das levantadas questões são distorcidos a tal ponto que deixam de se referir às respectivas essências factuais para então se referirem somente às figuras fantasiosas infundidas naquelas pelo senso comum - por sua vez contaminado por antigos e rasteiros preconceitos. 

   É o que vimos ocorrer, por exemplo, no debate sobre a liberação da maconha ou sobre a função de uma polícia militar, no qual a primeira sempre está ligada exclusivamente a "coisa de vagabundo e bandido", para um lado, e a segunda, a "braço armado da direita opressora", para o outro.

   Divertido constatar, ainda, a incrível capacidade, por vezes imaginativa, por vezes deliberada, de encobrirem e misturarem na cabeça de alguns as reais intenções por trás de cada ato executado por um determinado agente, o que só dificulta o devido reconhecimento de sua verdadeira face. Especialmente quando o resultado de um desses atos é o fracasso, atribui-se logo sua autoria a um suposto adversário infiltrado, o qual, muito bem camuflado, agiria no sentido de provocar tumulto e revolta perante a sociedade, para, assim, imputar descrédito à imagem e desestabilizar a posição - sempre "coerente, legítima e pacífica" - daquele que no final saiu como prejudicado de tal embuste. Se a marcha da maconha foi um desastre, servindo de pretexto para que uma cambada de desocupados tomasse enorme espaço da passeata e, de forma idêntica a torcidas organizadas, espalhasse o terror em torno do "cigarrinho do capeta" com cartazes de apologia (ainda, vale lembrar) criminosas e coros zombeteiros, então o problema, para os defensores de tal ação, não pode jamais estar na iniciativa pouco funcional de se tentar conduzir um debate desse gênero por meio de mobilizações em boa parte compostas, sabidamente, por trogloditas desinformados e exaltados; não, a culpa deve ser imediatamente transferida para os reacionários de direita que armaram todo um esquema de cobertura jornalística parcial, a fim de ter em mãos um escândalo que, por fim, justificasse a reação contrária, de guerra às drogas. Da mesma forma, se um deputado como o Jair Bolsonaro passa a advogar contra reivindicações gayzistas, de fundo muito mais partidarista que democrático, então é porque essa figura absurdamente caricatural foi implantada nesse contexto pelos esquerdistas que já antecipavam a grande piada - vendida para um "público sensato" - que se tornaria aquele tipo homofóbico, podendo-se, a partir desse ponto, estender tal designação a qualquer um que contestasse a infeliz lei pl-122, por tudo que ela engloba. Isso só para pegarmos os casos mais extremos de considerações paranóicas que têm sido feitas tanto por um lado quanto por outro. Há, claro, variações mais sutis e até plausíveis.

   Mas eu particularmente não acho que as maquinações funcionem dessa forma. Quero dizer, não creio que estejamos num jogo de xadrez em nível tão avançado de disputa que qualquer movimento é sempre calculado com dezenas ou até centenas de lances premeditados. Na verdade, porque isso nem mesmo é necessário ou conveniente na maioria dos casos, visto ainda o ambiente caótico em que estamos metidos. Tipos como Bolsonaro sempre surgirão de maneira espontânea para (muito mal) defender seu lado e, com isso, comprometer opiniões delicadas que um olhar tendencioso já associa a posturas de extrema-direta e fascistas - embora não necessariamente os sejam. Da mesma maneira, sempre surgem esses "universiotários" e "militecos" que só fazem montar verdadeiros palanques para os partidos esquerdóides de oportunidade (sem interesse em nenhuma causa além da própria projeção), prejudicando, com isso, a própria causa pela qual estariam lutando a princípio, através da estúpida atitude de confrontar a autoridade em vez de dominá-la e, só então, buscar a garantia de certos direitos - direitos esses por vezes legítimos, defendidos não só por tais guerrilheiros de araque mas também por outros que não se ocupam das mesmas condutas inflexíveis. Pois não foi necessário, como sugerem algumas especulações conspiratórias, que alguém da direita datênica fosse até o campus incitar a revolta dos estudantes, com denúncias anônimas cheias de intenções maquiavélicas, já concebendo toda a seqüência de eventos que se seguiria: o movimento estudantil - aliado a partidos esquerdóides, sindicatos, grupos de rebeldes, traficantes e corjas afins - ocupando prédios, estendendo cartazes esquizofrênicos com referências à ditadura de quase cinco décadas atrás, ataques histéricos de uma gente que sequer compreende o que é uma operação policial, quatro dúzias de otários invadindo a reitoria. Não, pois é óbvio que um quadro como esse se torna ideal para que qualquer reação da direita cresça vertiginosamente, sem necessidade de nenhum esquema mais sofisticado de conluio com a "mídia fascista". 

   Isso quer dizer que não hajam manipulações de nenhum dos lados? Muito pelo contrário. É aproveitando bem essas situações reais de exageros cometidos tanto pela ala esquerdopata (marchas pró maconha, movimentos estudantis, mst e o caralho) quanto pela ala direitopata (bolsonaros, juventude cristã, skinheads e a puta que pariu), que o jogo da manipulação se desenvolve frutuosamente naquela esfera virtual citada no início, onde a opinião pública é então somente jogada de um lado para o outro, conforme as disputas partidárias com que se comprometem os diversos agentes da mídia. Para tanto, exploram-se justo aquelas impressões coletivas mais grosseiras, arraigadas à paixão, ao medo, ao ódio cultivados pelo cidadão médio(val). Desse modo, sob a absoluta polarização esquerda-socialista/direta-nacionalista de quaisquer dos temas abordados, vemos escorrer pelo ralo a preciosa chance de discuti-los em seu conteúdo verdadeiro, em suas implicações verazes com o mundo sensível.

   Ilustra bem esses joguetes difamatórios com fins estritamente politiqueiros o contraste que se observou recentemente entre matérias feitas por duas das mais imponentes publicações do jornalismo nacional a respeito da mesma notícia, que foi o famigerado incidente na usp. Uma, a Veja, por se opor ao governo de situação, buscou a bela tática retórica de vender o esquerdismo como um fenômeno necessariamente vinculado a uma minoria de estudantes riquinhos, filhinhos de papai, mimados, vagabundos e, o mais importante de tudo, MACONHEIROS, sabendo que essas coisas todas, por contarem com a desaprovação até do lixeiro, induziriam a camada carente - a qual normalmente se simpatizaria mais com a esquerda - a repudiar por tabela o próprio esquerdismo, e talvez passando até se identificar com a classe burguesa, agora chamada de "cidadãos de bem e trabalhadores honestos". Já a outra publicação, a Folha, procurou uma forma ainda mais  elegante de rebater esse episódio a favor das tendências socializantes que representa: em sua série de vídeos para o youtube, cuja vinhetinha de abertura já denuncia certas preferências, juntou um grupo de madames do tipo mais nojento possível para discutir o caso, com o intuito cínico de pintar as classes econômicas  abastadas como a elite mesquinha, arrogante e sem nenhum conhecimento de causa, portanto a grande inimiga do povo simples e humilde.

   A reação que colheram em cada caso confirma bem essa habilidade fenomenal que o brasileiro tem de acreditar tanto na fábula da burguesia como responsável por todas as mazelas do mundo - desde que ela seja mesmo como as velhas mostradas na matéria da folha tv - quanto na ruína do país sob o comando de drogadinhos vadios questionadores da autoridade militar, como queria a veja. E dessas associações insanas é que tem se nutrido praticamente todas as contendas dos verdadeiros tubarões da sociedade, para os quais só interessam mesmo as rixas pseudo-ideológicas que promovam a mera troca de siglas do poder. Enquanto isso, sem debates mais aprofundados, a renovação do tipo de poder que cá impera é a última coisa promovida.